Pneu rachando entre os sulcos: é perigoso ou dá para rodar?

Por que o pneu começa a rachar entre os sulcos?

Encontrar pequenas rachaduras no fundo dos sulcos do pneu é um sinal que merece atenção, mesmo quando a banda de rodagem ainda parece ter bastante borracha. Essas fissuras podem estar relacionadas ao envelhecimento e à degradação gradual do composto, mas a aparência sozinha não é suficiente para determinar se o pneu está condenado.

Com o passar do tempo, fatores como exposição ao sol, calor, ozônio, condições de armazenamento e uso do veículo podem acelerar o envelhecimento da borracha. Produtos químicos agressivos também podem contribuir para a deterioração do composto.

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Pneu rachando entre os sulcos é perigoso?

Depende principalmente da profundidade, da extensão e da distribuição das rachaduras. Fissuras finas e superficiais podem aparecer com o envelhecimento da borracha sem representar, isoladamente, uma falha estrutural imediata. Já rachaduras profundas, numerosas ou acompanhadas de outros sinais de dano exigem uma avaliação mais cuidadosa.

O ponto importante é não tentar diagnosticar o estado interno do pneu apenas olhando de longe. Se a fissura estiver abrindo, houver partes da borracha se soltando, deformações, bolhas ou exposição de lonas ou cordonéis, procure uma avaliação profissional antes de continuar usando o veículo normalmente.

Sinal observadoConduta mais prudente
Fissuras pequenas e superficiaisAcompanhar a evolução e incluir o pneu nas inspeções periódicas
Craquelamento espalhado ou rachaduras mais profundasSolicitar avaliação profissional para verificar a condição do pneu
Bolhas, deformações, borracha soltando ou estrutura interna visívelEvitar continuar o uso normal até uma avaliação especializada

O TWI pode estar bom e o pneu ainda apresentar rachaduras?

Sim. Essa é uma confusão comum. O TWI indica o limite de desgaste da banda de rodagem, mas não funciona como um medidor da condição química ou estrutural da borracha.

No Brasil, a Resolução Contran nº 913/2022 proíbe a circulação quando a profundidade remanescente da banda de rodagem é inferior a 1,6 mm ou quando o desgaste atinge os indicadores. Isso não significa, porém, que um pneu com sulcos acima desse limite esteja automaticamente em boas condições em todos os outros aspectos.

Por isso, profundidade dos sulcos, rachaduras, cortes, deformações, pressão e idade devem ser observados em conjunto.

O que pode acelerar o craquelamento?

Pneus envelhecem mesmo quando o carro roda pouco. A velocidade desse processo varia conforme as condições de uso, clima, armazenamento e manutenção.

  • Sol e radiação ultravioleta: exposição prolongada favorece a degradação da borracha.
  • Ozônio e fontes elétricas: também podem contribuir para o envelhecimento do composto, especialmente durante períodos longos de armazenamento.
  • Temperaturas elevadas: calor constante é um dos fatores que influenciam o envelhecimento dos materiais do pneu.
  • Produtos agressivos: gasolina, querosene, solventes e outros produtos inadequados não devem ser usados para limpar ou dar brilho aos pneus.
  • Pressão incorreta: rodar com pressão abaixo da recomendada aumenta a flexão e o aquecimento do pneu, podendo provocar danos e reduzir sua durabilidade.
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Prompt para a imagem: Fotografia fotorrealista de uma pessoa conferindo a pressão de um pneu automotivo com manômetro, veículo parado em piso nivelado, ambiente de oficina limpa, enquadramento fechado na roda e no equipamento, sem textos ou logotipos.

Com que frequência verificar a pressão?

Uma referência prática adotada por entidades de segurança e fabricantes é conferir a pressão pelo menos uma vez por mês e antes de viagens longas. A medição deve ser feita preferencialmente com os pneus frios.

Use sempre a pressão indicada pelo fabricante do veículo, normalmente encontrada no manual ou na etiqueta da porta. O número gravado na lateral do pneu não deve ser confundido com a pressão recomendada para o seu carro.

A idade do pneu determina se ele precisa ser trocado?

Não existe uma regra simples dizendo que todo pneu vence automaticamente ao completar determinado número de anos. A condição depende de fatores como uso, manutenção, carga, pressão, temperatura, exposição ambiental e armazenamento.

Por isso, idade deve ser tratada como mais um elemento da avaliação, e não como diagnóstico isolado. Algumas fabricantes estabelecem recomendações próprias de inspeção e substituição preventiva. A Michelin, por exemplo, recomenda inspeções profissionais anuais depois de cinco anos de uso e adota dez anos desde a fabricação como limite preventivo para seus pneus.

Se quiser entender esse ponto com mais detalhes, veja também nosso conteúdo sobre se pneu tem validade mesmo sem usar.

Como descobrir a data de fabricação?

Procure o código de identificação DOT na lateral do pneu. Os quatro últimos números indicam a semana e o ano de fabricação. Um final 2324, por exemplo, identifica fabricação na 23ª semana de 2024.

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Prompt para a imagem: Close-up fotorrealista da lateral de um pneu automotivo mostrando claramente a região do código DOT e os quatro últimos números da data de fabricação, iluminação de oficina, textura real da borracha, sem textos adicionados digitalmente.

Rachadura entre os sulcos tem conserto?

Craquelamento por envelhecimento não deve ser tratado como um simples furo. Selantes e reparos destinados a perfurações não restauram uma borracha que está apresentando fissuras decorrentes de degradação do material.

Quando há dúvida sobre a profundidade da rachadura ou sobre a integridade do pneu, o ideal é fazer uma inspeção profissional. Dependendo da localização e da gravidade do dano, a substituição pode ser a solução tecnicamente indicada.

Posso viajar com o pneu rachando entre os sulcos?

Se as fissuras forem numerosas, profundas, estiverem aumentando ou vierem acompanhadas de deformações, perda de pressão ou outros sinais de dano, não vale começar uma viagem longa sem antes avaliar o pneu.

Já pequenas fissuras superficiais precisam ser analisadas dentro do contexto geral do pneu: idade, profundidade dos sulcos, pressão, histórico de uso e evolução das rachaduras. Em caso de dúvida, uma inspeção presencial é mais confiável do que tentar decidir apenas por uma foto.

Pneu remold racha mais fácil?

Não é correto afirmar que um pneu remoldado necessariamente racha mais fácil ou utiliza borracha de qualidade inferior. Segundo o Inmetro, um pneu reformado dentro dos requisitos técnicos e regulamentares deve oferecer nível de segurança equivalente ao de um pneu novo.

O mais importante é verificar a procedência, a identificação obrigatória do reformador e se o produto atende à regulamentação aplicável. Como acontece com pneus novos, condições de uso, manutenção e armazenamento também influenciam sua durabilidade.

Perguntas frequentes

Pneu rachado reprova na vistoria?

Isso depende do tipo de inspeção e dos critérios aplicados. Pela legislação nacional, um ponto objetivo é o limite mínimo de 1,6 mm para a profundidade da banda de rodagem. Danos visíveis também podem exigir avaliação específica conforme o procedimento de inspeção.

Posso passar selante nas rachaduras?

Não. Selantes usados para perfurações não recuperam a estrutura ou as propriedades de uma borracha envelhecida ou craquelada.

Pneu novo também pode apresentar rachaduras?

Pode. Embora o envelhecimento seja uma causa comum de fissuras, condição de armazenamento, exposição ambiental, uso inadequado e eventualmente problemas no próprio produto também precisam ser considerados. Uma rachadura precoce merece avaliação do revendedor ou fabricante.

Sulco profundo significa que o pneu está bom?

Não necessariamente. A profundidade da banda de rodagem é um dos critérios de avaliação. Rachaduras, cortes, bolhas, deformações, pressão e envelhecimento também precisam ser observados.

Então, quando procurar avaliação profissional?

Se você percebeu o pneu rachando entre os sulcos, observe principalmente se as fissuras estão aumentando, se são profundas ou espalhadas e se existem outros sinais de dano. Evite usar apenas a idade do pneu ou a profundidade dos sulcos como resposta definitiva.

Quando houver dúvida sobre a integridade da borracha, uma inspeção presencial por um profissional qualificado é o caminho mais seguro. A ideia não é trocar pneu por qualquer marca superficial, mas também não ignorar sinais que podem indicar uma degradação mais avançada.

Referências técnicas consultadas

  • Conselho Nacional de Trânsito (Contran) — Resolução nº 913/2022, sobre uso de pneus e limite de desgaste da banda de rodagem.
  • Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) — regulamentação e informações técnicas sobre pneus novos e reformados.
  • National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA) — orientações sobre pressão, inspeção, idade e identificação DOT dos pneus.
  • Michelin — documentação técnica sobre envelhecimento, rachaduras, armazenamento, pressão e inspeção de pneus.

Roberto Alencar

Roberto Alencar é especialista em mecânica e performance automotiva com mais de 30 anos de experiência em gestão de frotas e manutenção preventiva. Apaixonado por análise técnica, Roberto dedica seu tempo a decifrar dados de desempenho de pneus para ajudar motoristas a tomarem decisões seguras e baseadas em fatos, não apenas em marketing. Leia mais sobre a trajetória do Roberto aqui. Siga no LinkedIn.

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